Acelen Renováveis revoluciona a produção de óleo vegetal com a primeira extração industrial de macaúba

óleo vegetal

Empresa inaugura nova era para o setor de biocombustíveis com tecnologia inédita e investimentos de R$ 314 milhões em centro de inovação agroindustrial em Minas Gerais.

Por: Redação Portal Sustentabilidade

A Acelen Renováveis, empresa de energia criada pelo fundo Mubadala Capital, anunciou um marco importante para o setor de biocombustíveis e óleos vegetais: a primeira extração industrial de óleo de macaúba em fluxo contínuo.

O processo está sendo realizado no Acelen Agripark, um centro de inovação tecnológica agroindustrial que está em construção na cidade de Montes Claros, em Minas Gerais. Esta conquista representa um avanço significativo, já que, até então, a extração da macaúba ocorria apenas em ambientes laboratoriais.

O diferencial dessa nova etapa está na tecnologia inédita desenvolvida pela equipe de engenharia da Acelen, em parceria com especialistas do setor. O novo sistema de extração permite a produção em maior escala, com uma linha de produção projetada para extrair até 2 toneladas de óleo por hora. Atualmente, o processo está em fase de comissionamento, ou seja, passando por testes e ajustes para garantir o máximo desempenho dos equipamentos.

Os primeiros ensaios estão sendo realizados com volumes de aproximadamente 90 a 100 quilogramas por dia, mas a expectativa é de que essa capacidade cresça consideravelmente nos próximos meses.

Para Victor Barra, diretor de Agronegócios da Acelen, essa inovação tecnológica representa um divisor de águas para a indústria de óleos vegetais no Brasil e no mundo. “A tecnologia utilizada na extração do óleo de macaúba é um marco importante, pois abre caminho para uma produção mais eficiente e sustentável. Com o avanço dos testes, acreditamos que será possível expandir significativamente a produção, o que potencializa as oportunidades comerciais dessa matéria-prima no mercado global”, destacou Barra.

Macaúba: uma planta do Cerrado com grande potencial

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Foto: Reprodução/Pexels

A macaúba (Acrocomia aculeata) é uma palmeira nativa do Cerrado brasileiro, amplamente distribuída desde o Norte do Paraná até o Maranhão. Seu grande diferencial em relação a outras oleaginosas, como a palma (dendê), está na sua alta tolerância a condições climáticas adversas, especialmente em regiões de clima seco e com estresse hídrico. Enquanto a palma exige altos índices de umidade e se desenvolve melhor em áreas de floresta tropical úmida, a macaúba é adaptada a ambientes mais áridos, o que a torna uma excelente alternativa para o cultivo sustentável em diversas regiões do Brasil.

“A macaúba já está exposta, naturalmente, a condições climáticas extremas. Isso significa que ela possui uma resiliência muito maior em comparação com outras culturas oleaginosas. Por ter se desenvolvido em áreas de Cerrado, com períodos prolongados de seca, a planta apresenta uma tolerância notável a variações climáticas, o que reduz a necessidade de irrigação e insumos hídricos”, explica Barra.

Além de sua resistência, a macaúba possui um alto rendimento de óleo por hectare. Estimativas da Acelen indicam uma média de 4,5 toneladas de óleo por hectare, o que posiciona a planta como uma forte candidata para atender à crescente demanda por biocombustíveis e produtos da indústria de cosméticos e alimentos. O óleo extraído da macaúba possui propriedades versáteis, podendo ser utilizado na produção de biodiesel, biocombustíveis de aviação, lubrificantes, além de ser uma matéria-prima rica para o setor alimentício.

Acelen Agripark: um polo de inovação para o futuro da macaúba

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Foto: Acelen Renováveis

O Acelen Agripark, que começou a ser construído há um ano, é um centro de inovação que terá uma área total de 138 hectares, dos quais 59 serão destinados a experimentos e áreas de controle. O objetivo do espaço é aprimorar o cultivo da macaúba, desde a produção de sementes até o manejo agrícola, promovendo a rastreabilidade e o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para a cadeia produtiva da planta.

Como parte dos estudos, a Acelen já realizou o plantio experimental das primeiras 85 mudas de macaúba no Agripark. O objetivo é analisar o desempenho da planta em diferentes condições ambientais, especialmente no que diz respeito ao regime de chuvas e à resistência ao clima semiárido da região Norte de Minas Gerais. “Trouxemos as primeiras mudas para fazer um plantio experimental, aproveitando a janela de chuvas que temos atualmente em Montes Claros. Esse experimento vai nos ajudar a entender como a macaúba se desenvolve tanto na estação chuvosa quanto durante o período de seca”, explicou Barra.

O plantio experimental faz parte de um projeto de longo prazo, com duração prevista de 30 anos, que incluirá o cultivo de milhares de mudas até o final de 2025. O objetivo é testar diferentes técnicas de manejo, adubação, densidade de plantio e domesticação da planta, além de observar a resposta da macaúba a diferentes doses de fertilizantes e práticas agrícolas.

No Agripark, também serão conduzidos ensaios de germinação e o desenvolvimento de protocolos próprios para o cultivo da macaúba, visando otimizar a produtividade do óleo. A caracterização morfoagronômica da planta permitirá avaliar o seu potencial em diferentes cenários, contribuindo para o avanço da ciência e da tecnologia no setor agroindustrial.

Investimento robusto e impacto sustentável

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Foto: Reprodução/Pexels

O projeto do Acelen Agripark conta com um investimento total de R$ 314 milhões, dos quais R$ 258 milhões são financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A previsão é de que o centro seja inaugurado no final do primeiro semestre de 2025, com um ciclo de maturidade do projeto estimado entre 15 e 20 anos.

Além de contribuir para o desenvolvimento de novas tecnologias, o Agripark também terá um impacto positivo na geração de empregos, no fortalecimento da cadeia de produção de biocombustíveis e na promoção da sustentabilidade ambiental.

O cultivo da macaúba, por exemplo, pode ajudar na recuperação de áreas degradadas, no sequestro de carbono e na redução da pressão sobre ecossistemas mais sensíveis.

Fonte: Globo Rural

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