Coalizão de organizações liderada pelo Movimento Viva Água mapeia riscos climáticos da biorregião Guapi-Macacu (RJ) e propõe ações de adaptação para proteger a biodiversidade e as comunidades.
Uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas foi elaborada para a biorregião de Guapi-Macacu, que abrange os municípios de Guapimirim e Cachoeiras de Macacu (RJ), responsável pelo abastecimento de água de cerca de 2,5 milhões de pessoas no entorno da Baía de Guanabara. O plano, desenvolvido por uma coalizão de mais de 30 organizações lideradas pelo Movimento Viva Água Baía de Guanabara, idealizado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, FGVces e GIZ/ProAdapta, mapeia os riscos climáticos para as próximas décadas e propõe ações para fortalecer a resiliência ambiental, social e econômica da região.
O diagnóstico, realizado a partir de dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) e de cobertura da mídia, identificou os eventos climáticos mais recorrentes na região: alta precipitação (41%), inundações (15%), deslizamentos (13%), vendavais e ciclones (9%) e incêndios florestais (3,9%). Esses fenômenos geram impactos como desregulação hídrica, baixa produtividade agrícola, intrusão salina e aumento de doenças fisiológicas.
Adaptações climáticas

Projeções científicas indicam agravamento desses riscos nos cenários de curto (2020 a 2039), médio (2040 a 2069) e longo (2070 a 2100) prazos, com destaque para rebaixamento de lençol freático, erosão de encostas, elevação do nível do mar, desabastecimento hídrico, perda de qualidade da água e incêndios na vegetação.
“As opções de adaptação foram identificadas a partir do entendimento coletivo sobre impactos e riscos climáticos e da identificação de iniciativas e ações em curso e planejadas, assim como dos centros de referência já existentes nos territórios a serem fortalecidos e escalados”, destaca Mariana Nicolletti,, pesquisadora do FGVces. As medidas de adaptação propostas contemplam a restauração ecológica de matas ciliares e mananciais; construção de barraginhas e bacias de retenção nas propriedades rurais; fortalecimento de sistemas de alerta e rotas de evacuação em áreas urbanas; renaturalização de cursos d’água; aumento da arborização urbana e integração entre agricultura, pecuária e cordões de vegetação permanente (agrofloresta).
A região concentra áreas remanescentes bem preservadas de Mata Atlântica, incluindo manguezais, florestas nativas e campos de altitude, distribuídas em oito unidades de conservação, como o Parque Estadual dos Três Picos e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Apesar da proteção ambiental, o território também enfrenta pressões como expansão urbana, desmatamento, agricultura, agropecuária e a instalação do Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj).
Próximos passos e implementação

O plano de ação será articulado entre os atores do Movimento Viva Água para apresentar as propostas a empresas, identificar interesses comuns e estabelecer parcerias para implementação.
“A segurança hídrica foi priorizada como tema central, dada sua importância para a região e municípios vizinhos”, afirma Thiago Valente, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, instituição que atua há 35 anos a favor da conservação da biodiversidade brasileira.
O Fundo Viva Água Guanabara, criado para financiar ações de conservação, deve viabilizar as primeiras medidas do plano, com a liberação de capital semente.
Será necessário, no entanto, ampliar as fontes de financiamento, incluindo recursos de fundos nacionais e internacionais (como Fundo Clima, BNDES, Green Climate Fund, BID), além de instrumentos de política pública e parcerias privadas.
O Movimento Viva Água Baía de Guanabara, idealizado pela Fundação Grupo Boticário, reúne mais de 30 organizações de diferentes setores com o objetivo de fortalecer a resiliência hídrica, ambiental e social da região. Acesse o documento com a estratégia completa neste link.
Com informações do Grupo Boticário









