Fungo amazônico que se alimenta de plástico pode revolucionar o combate à poluição

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Pestalotiopsis microspora, descoberto por cientistas de Yale, consome poliuretano mesmo sem oxigênio e sobrevive em ambientes extremos como aterros sanitários.

Por: Redação Portal Sustentabilidade

Pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, descobriram na floresta amazônica um fungo com uma capacidade surpreendente: digerir plástico resistente sem precisar de oxigênio. A espécie, chamada Pestalotiopsis microspora, foi coletada em 2011 no Parque Nacional Yasuni, no Equador, durante uma expedição científica promovida pelo curso “Rainforest Expedition and Laboratory”.

O achado foi publicado na revista científica Applied and Environmental Microbiology (vol. 77, nº 17), da Sociedade Americana de Microbiologia, e desde então tem chamado a atenção da comunidade científica e ambientalista global. A pesquisa foi liderada pelo professor Scott Strobel, da Escola de Medicina de Yale.

A principal inovação trazida pelo Pestalotiopsis microspora é sua capacidade de quebrar poliuretano, um dos plásticos mais duráveis e de difícil reciclagem. Essa substância é amplamente utilizada em espumas, solados de calçados, tintas, colas e isolamento térmico, e representa um desafio para a decomposição ambiental.

Potencial para uso em biorremediação

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Pestalotiopsis microspora – reprodução/Pexels

Segundo os experimentos de Yale, o fungo produz enzimas específicas capazes de degradar o plástico até suas unidades moleculares. Essas enzimas, do grupo das serina-hidrolases, quebram as cadeias do polímero e transformam o material sintético em energia para o próprio fungo. O mais impressionante: ele realiza esse processo mesmo em ambientes anaeróbicos, ou seja, sem presença de oxigênio — condição típica de aterros sanitários.

A descoberta abre caminho para soluções biotecnológicas inovadoras no tratamento de resíduos sólidos. A possibilidade de usar fungos ou enzimas derivadas do Pestalotiopsis em aterros ou em sistemas controlados de compostagem pode acelerar a decomposição de plásticos que levariam séculos para se degradar naturalmente.

Além disso, a resistência do fungo a condições adversas o torna um organismo ideal para ambientes extremos, como solos contaminados, locais com pouca ventilação e áreas úmidas com alta carga de resíduos. É um exemplo claro de como a biodiversidade amazônica ainda guarda potenciais soluções para problemas globais.

“Essa espécie representa um modelo promissor para futuras tecnologias de biorremediação de plástico, especialmente em locais onde métodos tradicionais falham”, destacou Strobel no artigo.

Um novo olhar sobre o lixo plástico

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Foto: Reprodução/Pexels

Estima-se que mais de 400 milhões de toneladas de plástico sejam produzidas por ano, e menos de 10% desse volume é reciclado efetivamente. O restante se acumula em lixões, oceanos e solos, causando impactos duradouros na fauna, flora e na saúde humana.

O poliuretano, em especial, é conhecido por sua resistência a microrganismos e por sua persistência no meio ambiente. Por isso, o Pestalotiopsis microspora reacende a esperança de que soluções naturais — muitas ainda desconhecidas — possam ser chave para o enfrentamento da crise global do lixo plástico.

Apesar do entusiasmo, os pesquisadores alertam que a aplicação prática ainda depende de mais estudos. Será necessário isolar as enzimas mais eficazes, testar sua viabilidade em larga escala e avaliar os impactos ambientais do uso controlado desses fungos fora de seu habitat natural.

Ainda assim, o avanço representa um marco. A descoberta reforça a importância da pesquisa em biodiversidade tropical, especialmente na Amazônia, que segue sendo uma das maiores reservas de conhecimento biológico do planeta.

Fonte: PMC

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