Cimento com fibras vegetais desenvolvido na USP capta CO2 e reduz impacto ambiental

concreto

Material inovador absorve até 100 quilos de dióxido de carbono por metro cúbico e pode contribuir para tornar a produção de etanol mais sustentável.

Pesquisadores da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram um novo tipo de cimento capaz de capturar gás carbônico da atmosfera, reduzindo o impacto ambiental da construção civil. A tecnologia emprega fibras vegetais e óxido de magnésio (MgO) no lugar do tradicional clínquer à base de cálcio, utilizado no cimento Portland, e pode absorver até 100 quilos de dióxido de carbono (CO₂) por metro cúbico.

A proposta do estudo, publicado pelo Jornal da USP, é criar um material de construção mais sustentável, que combine desempenho técnico com benefícios ambientais. O cimento com fibras vegetais, além de mais resistente e durável, apresenta um desempenho mecânico equivalente ao do concreto convencional, com a vantagem de sequestrar carbono, um dos principais gases de efeito estufa.

Absorção de CO2

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Bloco de cimento reforçado com fibras vegetais é submetido a teste mecânico de flexão em quatro pontos; processo de produção, além de reter o carbono, reduz a alcalinidade, reforçando a preservação das fibras e a durabilidade do material – Foto: Cedida pelo pesquisador Adriano Galvão de Souza Azevedo

Segundo os pesquisadores, o uso do MgO como base do ligante cimentício é fundamental para que o CO₂ seja absorvido durante a cura do material. O processo de carbonatação, que ocorre naturalmente com o tempo, é acelerado e aprimorado com o novo composto. O resultado é uma matriz sólida que fixa o carbono permanentemente, contribuindo para a redução das emissões em setores com alta pegada ambiental, como a construção civil e a indústria do etanol.

A pesquisa também propõe o reaproveitamento do CO₂ gerado durante a produção de etanol de cana-de-açúcar, setor responsável por grandes volumes de emissões durante a fermentação alcoólica. Em vez de liberar o gás na atmosfera, seria possível redirecioná-lo para uso no processo de cura do novo cimento. A iniciativa busca criar um ciclo mais sustentável para o biocombustível brasileiro, integrando a indústria da construção e o setor sucroenergético em uma abordagem de economia circular.

O cimento ainda incorpora fibras vegetais como reforço, aumentando sua resistência à tração e melhorando seu desempenho em aplicações estruturais. As fibras podem ser provenientes de fontes renováveis, como resíduos agrícolas, o que amplia o caráter ecológico do material.

Durabilidade e resistência

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Foto: Reprodução/Pexels

Os testes laboratoriais indicam que o novo material atende aos critérios de resistência e durabilidade exigidos pelas normas técnicas brasileiras. A expectativa da equipe é que, com mais investimentos em escala industrial, o cimento à base de MgO com captura de CO₂ possa se tornar uma alternativa viável ao cimento convencional, especialmente em construções sustentáveis, edificações verdes e projetos com certificação ambiental.

O desenvolvimento do cimento carbono-negativo da USP ocorre em um momento de crescente demanda global por tecnologias capazes de mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A construção civil é responsável por cerca de 8% das emissões globais de CO₂, especialmente devido ao uso do cimento Portland. Iniciativas como esta, que combinam inovação, ciência de materiais e sustentabilidade, ganham relevância diante dos compromissos climáticos assumidos por diversos países, incluindo o Brasil.

A pesquisa está vinculada à FZEA-USP, localizada no campus de Pirassununga, interior de São Paulo, e contou com apoio de agências de fomento à ciência e tecnologia. Os resultados detalhados podem ser consultados na publicação original neste link.

Fonte: USP

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