Veículo chinês guiado por sensores magnéticos será avaliado durante 15 meses entre Pinhais e Piraquara, com capacidade para até 400 passageiros e expectativa de reduzir custos em relação ao metrô.
O Governo do Paraná vai iniciar os testes do Bonde Digital Urbano (BUD), um novo modelo de transporte coletivo 100% elétrico e sem trilhos. O anúncio foi feito em 30 de julho pelo governador Ratinho Junior, que divulgou um vídeo do veículo nas redes sociais. Desenvolvido pela multinacional chinesa CRRC Nanjing Puzhen, o BUD adota a tecnologia Digital Rail Transit (DRT), que guia os veículos por meio de sensores magnéticos instalados sob o asfalto.
O sistema é considerado um “metrô de superfície”, pois combina a capacidade de transporte de trens com a flexibilidade de circulação em vias urbanas, mas sem necessidade de trilhos. Pequenos sensores magnéticos, do tamanho de uma xícara, são enterrados a cada metro no pavimento e orientam o trajeto do veículo, inclusive em curvas.
O BUD pode operar em dois modos: com condutor ou de forma semiautônoma, quando a aceleração e a frenagem são automáticas, mas com um operador supervisionando a condução.
Desempenho

O Governo do Paraná inicia os testes do Bonde Digital Urbano (BUD), novo modelo de transporte coletivo 100% elétrico que chega ao estado para circular sem trilhos. O veículo, com três vagões, mede 20,5 metros de comprimento e 2,5 metros de largura, comportando entre 280 e 400 passageiros, de acordo com a fabricante. Atinge velocidade máxima de 70 km/h e tem vida útil estimada em até 30 anos.
Nesta fase inicial, apenas uma unidade estará em operação, circulando entre os terminais de Pinhais e São Roque, em Piraquara, em um trajeto de aproximadamente 10 quilômetros na Região Metropolitana de Curitiba. O contrato disponível no Portal da Transparência prevê 15 meses de testes. A proposta é avaliar o desempenho do veículo em condições reais de uso, tanto em trechos conduzidos manualmente quanto em modo autônomo.
Atualmente, o mesmo percurso feito por ônibus leva em média 30 minutos. Com o BUD, a expectativa é reduzir o tempo de deslocamento. O veículo que chega ao Paraná carrega a identidade visual “Paraná, o estado mais sustentável do Brasil”. Ainda não há definição sobre o modelo de bilhetagem, mas a tendência é que seja integrado ao sistema metropolitano, utilizando o mesmo cartão já empregado em ônibus. Resta decidir se a validação será feita nos terminais ou dentro do veículo.
Investimento e infraestrutura

O projeto conta com investimento aproximado de R$ 6 milhões, destinados à adaptação de vias, sinalização, manutenção técnica e implantação dos sensores magnéticos. Técnicos chineses acompanharão o período de testes para calibração e suporte operacional.
Após a fase experimental, o veículo poderá ser incorporado pela Prefeitura de Curitiba e utilizado em rotas urbanas. Caso os resultados sejam positivos, o Paraná pode se tornar prioridade para receber uma linha de montagem do sistema no Brasil.
Segundo a Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), o BUD representa uma alternativa intermediária entre o BRT e o metrô, com custos de implantação menores e potencial para ampliar a oferta de transporte coletivo de alta capacidade.
Especialistas destacam que o modelo tem vantagens ambientais por ser 100% elétrico, além de reduzir emissões de poluentes nos centros urbanos. Porém, desafios ainda precisam ser avaliados, como a integração com o tráfego existente, segurança operacional e custos futuros de manutenção.
Fonte: Estadão









