A Noruega deu início nesta segunda-feira (25) ao primeiro serviço comercial de transporte e armazenamento de dióxido de carbono (CO₂) do mundo.
Por: Redação Portal Sustentabilidade
O projeto Northern Lights, liderado pelo consórcio formado por Equinor, Shell e TotalEnergies, realizou a primeira injeção do gás em um reservatório geológico no fundo do Mar do Norte, marcando um passo inédito na aplicação em larga escala da tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS). A informação foi divulgada pela Reuters.
O CO₂ é capturado em indústrias e usinas elétricas da Europa, liquefeito e transportado em navios até o terminal de Øygarden, na costa oeste da Noruega. A partir dali, o gás é bombeado por dutos submarinos para um aquífero salino localizado a 2,6 mil metros abaixo do leito marinho, onde ficará armazenado de forma permanente.
Na Fase 1, já em operação, o Northern Lights tem capacidade para 1,5 milhão de toneladas anuais de CO₂, totalizando 37,5 milhões de toneladas ao longo de 25 anos. Segundo os operadores, toda essa capacidade já foi contratada por empresas parceiras.
Expansão em andamento

O consórcio já aprovou a Fase 2, que deve elevar a capacidade para pelo menos 5 milhões de toneladas por ano até 2028. O investimento previsto é de 7,5 bilhões de coroas norueguesas (cerca de US$ 714 milhões), além de um aporte de 131 milhões de euros do programa europeu CEF Energy para apoiar a expansão.
As melhorias previstas incluem novos tanques, bombas, infraestrutura portuária, poços adicionais de injeção e navios especializados para transporte do CO₂.
O Northern Lights já firmou contratos com diferentes setores industriais considerados de difícil descarbonização. Entre os clientes estão:
- Heidelberg Materials, com captura na fábrica de cimento de Brevik, na Noruega;
- Hafslund Celsio, operadora de usina de recuperação energética em Oslo;
- Yara, nos Países Baixos, que enviará até 800 mil toneladas de CO₂ por ano;
- Ørsted, na Dinamarca, com centrais de biomassa;
- Stockholm Exergi, na Suécia, que começará a enviar 900 mil toneladas anuais a partir de 2028.
Relevância global

A tecnologia de captura e armazenamento de carbono é considerada pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) como essencial para a redução de emissões de setores como siderurgia, cimento e energia, em que alternativas de descarbonização são mais limitadas.
O governo norueguês financia o projeto por meio do programa Longship, que prevê investimentos de cerca de US$ 3,4 bilhões ao longo de dez anos, sendo US$ 2,2 bilhões subsidiados pelo Estado.
Com o Northern Lights, a Noruega busca se consolidar como polo de serviços de armazenamento de carbono para toda a Europa, aproveitando sua experiência no setor de petróleo e gás e a geologia favorável de seus reservatórios submarinos.
Fonte: Reuters