Árvores e cidades: o equilíbrio entre segurança e preservação

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Como o manejo técnico garante segurança urbana sem abrir mão da preservação ambiental.

Nas cidades, a presença das árvores é ao mesmo tempo um privilégio e um desafio. São elas que amenizam o calor, reduzem a poluição, abrigam aves e tornam os espaços mais humanos. Mas também podem, quando mal cuidadas ou mal avaliadas, se transformar em fonte de risco, especialmente durante períodos de ventos fortes e chuvas intensas.

Entre o “precisa cortar porque oferece perigo” e o “precisa preservar a todo custo”, há um espaço de equilíbrio que só se alcança com técnica, planejamento e responsabilidade. Esse é o papel do arborista: encontrar soluções que garantam a segurança da população sem abrir mão da preservação ambiental.

 Avaliar antes de cortar

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Foto: Reprodução/Pexels


Muitas vezes, o corte é a primeira solução sugerida quando uma árvore apresenta problemas visíveis, como inclinação, galhos ocos ou raízes expostas. No entanto, a avaliação profissional pode revelar que o risco pode ser controlado com medidas mais simples: uma poda corretiva, amarração ou redução de copa, por exemplo.

O diagnóstico técnico é fundamental. Ele considera o estado fitossanitário da árvore, o tipo de solo, o histórico de podas anteriores, o entorno urbano e até a espécie envolvida. Algumas árvores se recuperam bem de intervenções; outras, não. Decidir sem essa análise é colocar em risco tanto o patrimônio natural quanto a segurança de quem circula ao redor.

Responsabilidade compartilhada

Foto: Reprodução/Pexels


A legislação ambiental brasileira prevê que o manejo de árvores em áreas urbanas deve ser acompanhado por um profissional habilitado, com base em normas técnicas como a ABNT NBR 16246-1, que trata da poda, e a NBR 16246-2, voltada ao plantio e manejo. Isso garante que a decisão de intervir em uma árvore não seja tomada apenas por percepção visual ou conveniência, mas com base em critérios técnicos e legais.

Além do arborista, o poder público e a comunidade têm papel essencial nesse processo. Prefeituras precisam manter cadastros e planos de arborização urbana atualizados, enquanto moradores e síndicos devem acionar profissionais especializados antes de qualquer intervenção.

Convivência inteligente com as árvores

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Foto: Flávio Mendes


Nem toda árvore está no lugar certo, e nem toda árvore em risco precisa ser removida. O manejo adequado é o caminho do meio: avaliar, tratar, prevenir e, só em último caso, remover. A substituição planejada, com replantio de novas mudas e escolha de espécies adequadas, é uma forma responsável de garantir a segurança sem empobrecer a paisagem urbana.

Quando o conhecimento técnico orienta as decisões, as cidades ganham em segurança, beleza e equilíbrio ambiental. O desafio não é escolher entre preservar ou cortar, mas sim entender que as duas coisas podem e devem caminhar juntas.


Por: Flávio Mendes é especialista em arborismo urbano e manejo de árvores na empresa Jardim Arte, de Blumenau (SC), que atua há mais de 15 anos com corte, poda e transplante de árvores, sempre com foco em segurança e respeito à natureza.

** ** Este artigo é de autor independente e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Sustentabilidade

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