Cientistas descobrem nova caverna em Minas Gerais e Brasil atinge marca de 30 mil cavidades registradas

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Segundo o ICMBio, a Gruta do Pica-Pau, localizada no norte de Minas Gerais, tornou-se o registro de número 30 mil no CANIE e reforça a importância científica e geológica do parque.
Por: Redação Portal Sustentabilidade

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav) confirmou que o Brasil alcançou oficialmente 30 mil cavidades naturais subterrâneas registradas no Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (CANIE). Segundo o ICMBio, o registro de número 30 mil corresponde à Gruta do Pica-Pau, localizada no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no norte de Minas Gerais.

A Gruta do Pica-Pau foi identificada durante estudos realizados pela empresa Ativo Ambiental, no contexto de um Termo de Compromisso de Compensação Espeleológica firmado entre o ICMBio e a Vale S.A. De acordo com pesquisadores envolvidos nos levantamentos, a cavidade se destaca entre as novas descobertas do parque por suas dimensões, volume, variedade de espeleotemas e atributos geológicos considerados excepcionais.

O nome da gruta homenageia o bioespeleólogo Felipe dos Santos Paula, conhecido como “Pica-Pau”, falecido em 2021, que atuou na Ativo Ambiental e conduziu estudos de licenciamento ambiental relacionados ao patrimônio subterrâneo.

Marco científico

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Segundo a gestora do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, Dayanne Sirqueira, o registro da Gruta do Pica-Pau “constitui um marco relevante para a unidade de conservação”, tanto por representar a caverna de número 30 mil no CANIE quanto por evidenciar a complexidade espeleológica da região.
Ainda de acordo com Sirqueira, a descoberta reforça a importância de ações contínuas de pesquisa, manejo e proteção dentro da unidade, considerada uma das áreas de maior representatividade geológica do país.

Segundo dados do CANIE, somente em 2025 já foram registradas quase 4 mil cavernas, número que supera amplamente a média anual observada entre 2014 e 2024, de cerca de 1.400 registros por ano. De acordo com o ICMBio/Cecav, o aumento se deve ao fortalecimento da legislação ambiental, às exigências para licenciamento e ao crescimento do interesse científico pela biodiversidade subterrânea.

O coordenador do ICMBio/Cecav, Jocy Cruz, destaca ainda o papel das comunidades locais e dos grupos de espeleologia no fornecimento de informações e descobertas que ampliam o conhecimento técnico sobre as cavidades do país.

Importância ambiental das cavernas

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Segundo o ICMBio, as cavernas desempenham funções essenciais para o equilíbrio ambiental: armazenam água, abrigam minerais raros, preservam espécies endêmicas e funcionam como verdadeiros laboratórios naturais para entender os impactos das mudanças climáticas. Esses ambientes também oferecem informações fundamentais para a gestão territorial e a conservação da biodiversidade.

Criado em 1999, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu abrange os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, em Minas Gerais. Segundo o ICMBio, o parque reúne formações de Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, mais de 80 sítios arqueológicos com pinturas rupestres e mais de 200 cavernas catalogadas — além de receber, em 2025, o título de Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO.

Instituído pela Resolução Conama 347/2004, o Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas armazena dados essenciais para a gestão, o monitoramento e o licenciamento ambiental de áreas que contenham cavernas. De acordo com o ICMBio, o sistema tem sido fundamental para ampliar o conhecimento científico e orientar políticas de proteção do patrimônio espeleológico brasileiro.

Fonte: IMCBio

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