Nova ferramenta reúne dados sobre extração, consumo, comércio e rastreabilidade de materiais para orientar políticas de sustentabilidade.
Por: Redação Portal Sustentabilidade
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio da Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria (SEV), apresentou no dia 06 de novembro o Painel de Indicadores da Economia Circular Brasileira — uma plataforma interativa que agrupa e organiza dados estratégicos sobre fluxos de materiais em todo o país.
O Painel foi lançado durante a 4ª Reunião Ordinária do Fórum Nacional de Economia Circular (FNEC), presidida pela secretária da SEV, Júlia Cruz. Ele permite ao poder público, à indústria e à sociedade civil acessar dados que antes estavam dispersos, proporcionado uma visão mais clara da circularidade — ou seja, da capacidade de aproveitar recursos, reduzir desperdícios e prolongar o ciclo de vida dos materiais.
Como funciona a plataforma

A interface segue um fluxo temático organizado pela lógica dos materiais, com seções como:
- Material Virgem: contempla a extração doméstica de recursos naturais diretos (Extração Doméstica – DE) e o Consumo Doméstico de Material (DMC), que soma a extração interna e as importações físicas, subtraindo as exportações físicas.
- Importação / Exportação: integra dados do sistema ComexStat, com filtros específicos para resíduos segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), conectando comércio exterior e fluxos de descarte.
A plataforma ainda prevê novas áreas temáticas a serem incluídas, ampliando a cobertura dos dados.
Além disso, o Painel apresenta métricas como a Pegada Material (MF ou RMC), que avalia o impacto do consumo nacional sobre recursos naturais globais ao somar a extração doméstica e o equivalente em matérias-primas das importações, e subtrair o equivalente nas exportações.
Relevância para a política de economia circular

A iniciativa marca um passo importante na operacionalização da Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC), instituída pelo Decreto nº 12.082/2024, que visa promover a transição de um modelo produtivo linear — extrair-produzir-descartar — para um modelo circular, que priorize reutilização, remanufatura, reciclagem e regeneração da natureza.
Com o Painel, o governo pretende estabelecer uma base para que decisões de planejamento, regulação, incentivos, inovação e monitoramento possam se apoiar em dados confiáveis e rastreáveis — fortalecendo a governança da economia circular. Empresas e atores da cadeia produtiva passam a ter acesso a informações que permitem mapear onde ocorrem perdas de materiais, quais setores têm maior fluxo de recursos, e onde a circularidade ainda precisa avançar.
Durante o FNEC, foram destacados temas estratégicos para o empresariado, como o novo decreto de logística reversa para embalagens plásticas, a Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR) e o próprio painel de indicadores. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em uma só rodada foram apresentados 952 projetos em 26 estados, totalizando solicitações de investimento superiores a R$ 2,2 bilhões.
O lançamento, segundo o governo reforça o protagonismo do Brasil na agenda da economia circular e no âmbito das mudanças climáticas: o painel ajuda a quantificar o impacto ambiental das cadeias produtivas e a comparar a posição brasileira com a de outros países.
Para o setor privado e sociedade civil

Para empresas, a nova plataforma abre oportunidades, de acordo com o governo: ao mapear os fluxos de materiais, podem identificar onde há desperdício, quais insumos podem ser substituídos por reciclados, e como reduzir impacto ambiental e dependência de recursos virgens.
Isso se traduz em ganhos de eficiência, redução de custos, melhor posicionamento frente à regulação e atração de investimentos. Para a sociedade civil, o painel serve como instrumento de transparência, permitindo acompanhamento das metas de circularidade, participação mais ativa nas políticas e pressão por resultados mais concretos.
O MDIC informa que o painel continuará a evoluir com inclusão de novas áreas temáticas, aprofundamento das métricas e maior comparabilidade internacional dos dados. Também irá avançar o monitoramento das cadeias de materiais críticos (vidro, alumínio, têxtil, papel e celulose) e sua integração com plataformas como a Recircula Brasil, que rastreia resíduos desde a origem até o reingresso na produção.









