O ESG precisa fazer parte da cultura e da rotina das pessoas, não apenas dos relatórios corporativos.
Nos últimos anos, o ESG deixou de ser apenas uma tendência corporativa para se tornar um critério de competitividade e sobrevivência no mercado. No entanto, a busca por selos e certificações fez muitas empresas adotarem práticas superficiais, sem seguir os propósitos e critérios reais. De acordo com o estudo “A Maturidade ESG nas Empresas Brasileiras”, realizado pela Beon ESG e Aberje, apenas 31% das empresas têm um modelo completo, com estratégia, processos e gestão de resultados, o que mostra o quanto o tema ainda enfrenta desafios na prática.
Mas, implementar políticas sustentáveis, sociais e de governança exige mais do que apenas boas intenções. É preciso planejamento, engajamento interno e mensuração de resultados. “O ESG precisa fazer parte da cultura e da rotina das pessoas, não apenas dos relatórios corporativos. É uma jornada contínua de aprendizado e evolução”, afirma Vivian Tenuta, head de RH da Corning.
Diante desse tema, Vivian Tenuta listou quatro erros comuns ao aplicar as políticas ESG no ambiente corporativo e como evitá-los. Confira:
Tratar o ESG como ação de marketing

Um dos maiores equívocos é encarar o ESG como uma ferramenta de promoção de imagem e não de transformação. Quando as iniciativas se limitam apenas a campanhas de comunicação, sem impacto nos processos internos, a empresa corre até mesmo o risco de ser acusada de greenwashing, que é quando uma empresa finge ser sustentável apenas para melhorar sua imagem, sem realmente adotar as práticas ecológicas. As ações precisam refletir o que a organização realmente acredita e prática.
Falta de envolvimento da liderança

Sem o comprometimento da alta gestão, qualquer projeto ESG tende a se esvaziar com o tempo. É essencial que os líderes também incorporem os princípios na tomada de decisões e sirvam de exemplo para os demais colaboradores, de todos os níveis hierárquicos.
Ausência de métricas e indicadores

Outro erro recorrente é não mensurar as ações. Sem dados concretos, não há como comprovar os resultados alcançados e nem justificar investimentos. As empresas precisam estabelecer indicadores de desempenho e revisar periodicamente as metas, acompanhando o progresso de forma transparente.
Ignorar a dimensão social

Por fim, muitas organizações concentram esforços apenas na sustentabilidade ambiental e esquecem que o ESG também envolve pessoas, diversidade e responsabilidade social. Negligenciar o “S” pode desencadear um desequilíbrio na estratégia e afetar diretamente a cultura organizacional. Valorizar o capital humano e promover inclusão é fundamental para garantir consistência e legitimidade ao discurso ESG.
Por: Vivian Tenuta, head de RH da Corning.









