IEMA divulga inventário que acompanha as emissões veiculares no Brasil desde a década de 80

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Levantamento reúne 45 anos de dados, incorpora veículos elétricos e detalha a evolução da frota e seus impactos na qualidade do ar e no clima.
Por: Redação Portal Sustentabilidade

O governo federal divulgou, em dezembro de 2025, o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários – Ano-base 2024, documento considerado o mais completo levantamento já produzido sobre a poluição veicular no Brasil.

Elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Ministério dos Transportes, o inventário reúne dados referentes aos últimos 45 anos, abrangendo o período de 1980 a 2024, e fornece uma visão aprofundada do impacto dos veículos automotores na qualidade do ar e nas emissões de gases de efeito estufa no país.

Ao longo do texto, a publicação destaca que a frota brasileira ultrapassou 71 milhões de veículos em 2024, com predominância de automóveis, motocicletas e comerciais leves, além de mais de 2,5 milhões de veículos pesados, como caminhões e ônibus. O estudo mostra que os automóveis representam 63% da frota, enquanto as motocicletas, cujo crescimento foi acelerado especialmente entre 2000 e 2015, já correspondem a 25% do total. Mais de 75% dos carros registrados no país são flex fuel, refletindo uma característica singular da matriz energética brasileira.

Poluentes inéditos

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Foto: IEMA

Pela primeira vez, o inventário inclui dados de emissões de veículos elétricos, híbridos e ônibus urbanos elétricos, além de incorporar, de forma inédita, estimativas de poluentes provenientes do desgaste de pneus, freios e pavimento — um tipo de emissão não relacionada à combustão, mas cada vez mais relevante nas grandes cidades. Também foram adicionadas estimativas de carbono negro, componente altamente nocivo à saúde e significativo para o aquecimento global, que até então não era contabilizado nas séries históricas. A atualização metodológica demonstra um esforço técnico para acompanhar a evolução tecnológica da frota e ampliar a precisão das projeções de impacto ambiental.

O documento detalha que o cálculo das emissões considera quatro pilares: o tamanho e a composição da frota circulante, com base em curvas de sucateamento que estimam o tempo de vida útil de cada categoria; os fatores de emissão, que variam conforme tecnologia, idade e tipo de combustível; a intensidade de uso, medida em quilômetros rodados por ano; e as vendas de combustíveis, que funcionam como controle cruzado para validar as estimativas de atividade. A combinação desses elementos resulta em estimativas refinadas das emissões anuais de poluentes como monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, material particulado, aldeídos, metano, óxido nitroso, dióxido de carbono e hidrocarbonetos não-metano.

O inventário também evidencia o impacto histórico de programas regulatórios como o PROCONVE e o PROMOT, responsáveis por reduzir, ao longo das décadas, as emissões por veículo novo por meio da exigência de tecnologias como catalisadores, sistemas de controle de evaporação, melhorias na injeção eletrônica e filtros de partículas. Embora as emissões unitárias tenham caído drasticamente, especialmente entre os automóveis e nos veículos diesel mais modernos, o crescimento da frota e o aumento da circulação, principalmente em áreas urbanas, fazem com que o tema continue central nas políticas públicas de saúde e meio ambiente.

Política Nacional

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Foto: IEMA

Os veículos diesel permanecem como os maiores emissores de NOx, material particulado e carbono negro, devido ao uso intensivo no transporte de cargas e passageiros. A entrada em vigor da fase P8 do PROCONVE em 2022 começou a alterar esse cenário, mas o inventário ressalta que a renovação da frota é lenta, e que os benefícios totais só serão percebidos gradualmente, à medida que caminhões e ônibus antigos forem aposentados. O estudo também chama atenção para a necessidade de ampliar dados sobre veículos convertidos para gás natural veicular, já que o país carece de registros oficiais sobre a frota convertida, e as estimativas dependem do volume de vendas do combustível.

A publicação ganha relevância especial no contexto da implantação da Política Nacional de Qualidade do Ar, criada em 2024, que exige levantamento sistemático de informações, padrões de monitoramento mais rigorosos e ferramentas de planejamento para redução de poluentes atmosféricos. O inventário fornece a base científica para estruturar essas ações e também apoia o Programa MelhorAR, lançado pelo Ministério dos Transportes para mitigar emissões no setor rodoviário. A inclusão de dados sobre veículos elétricos e híbridos é apresentada como um passo importante para acompanhar a transição tecnológica em curso, ainda incipiente no Brasil, mas crescente nas principais cidades.

Com mais de trezentas páginas, gráficos, tabelas e análises comparativas por categoria, combustível, ano-modelo e unidade da federação, o inventário reafirma a necessidade de aprimorar continuamente o monitoramento de emissões e a coleta de dados sobre a frota. Entre as recomendações, destacam-se a atualização das curvas de sucateamento, a ampliação do banco de dados de intensidade de uso, o aperfeiçoamento de metodologias de medição de material particulado não relacionado à combustão e a integração dos resultados do inventário nacional com inventários estaduais e municipais. Conclui-se que, embora o Brasil tenha avançado significativamente no controle das emissões veiculares desde a década de 1980, a transição para tecnologias mais limpas precisa acelerar para que o país cumpra metas climáticas, reduza impactos à saúde e melhore a qualidade do ar nas regiões metropolitanas.

Fonte: IEMA

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