Prefeitura de Belém inaugura primeira Central Pública de Reciclagem de Orgânicos e nova UVR

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Com a central e usina Belém pretende ampliar a gestão de resíduos e fortalecendo economia circular.

A Prefeitura de Belém inaugurou no dia 21 de novembro, dois importantes equipamentos públicos voltados à gestão de resíduos sólidos urbanos: a primeira Central Pública de Reciclagem de Resíduos Orgânicos da capital paraense e a nova Unidade de Valorização de Recicláveis (UVR) da Concaves, localizada no bairro Terra Firme. As iniciativas representam um avanço estrutural na política ambiental do município, ao ampliar a capacidade de reciclagem, reduzir o volume de resíduos destinados a aterros sanitários e fortalecer a economia circular com inclusão social de catadores e catadoras.

Os projetos integram o eixo de Gestão de Resíduos Sólidos, Educação Ambiental e Inovação em Bioeconomia, um dos 37 grandes projetos estratégicos vinculados ao legado urbano e ambiental da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), sediada em Belém. A proposta é deixar à cidade não apenas obras físicas, mas soluções permanentes para desafios históricos relacionados ao lixo urbano, à geração de renda e à sustentabilidade.

Ampliação expressiva da reciclagem

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Foto: Reprodução/Pexels

A nova UVR da Concaves ocupa uma área de 1.770 metros quadrados e passou por ampla reforma realizada pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Seinfra), com financiamento da Itaipu Binacional. O espaço foi completamente adaptado para receber resíduos da coleta seletiva, com estrutura adequada para triagem, armazenamento e atividades de educação ambiental, além de oferecer melhores condições de segurança e trabalho aos cooperados.

Com a modernização, a capacidade de triagem e reciclagem será ampliada em cerca de 400%, permitindo o processamento de até 300 toneladas de resíduos por mês. A expectativa é que o número de cooperados também aumente, fortalecendo a inclusão produtiva e garantindo melhores condições de renda para catadores e catadoras, que desempenham papel central na cadeia da reciclagem.

Segundo representantes da Itaipu Binacional, a iniciativa faz parte de um conjunto de investimentos voltados à redução do lixo nas ruas e ao fortalecimento da coleta seletiva em Belém. Estão previstas, ainda, reformas em outros três galpões de reciclagem, ampliando o alcance das políticas públicas voltadas ao reaproveitamento de materiais e à redução de impactos ambientais.

Compostagem acelerada e inovação tecnológica

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Foto: Reprodução/Pexels

Outro destaque é a inauguração da Central Pública de Reciclagem de Resíduos Orgânicos, equipada com tecnologia de tambor rotativo que acelera significativamente o processo de compostagem. A unidade tem capacidade para processar 150 toneladas de resíduos orgânicos por mês, podendo chegar a 180 toneladas com a inclusão de restos de poda urbana.

O sistema é totalmente mecanizado, desde o tambor rotativo até a etapa de vermicompostagem, o que permite transformar restos de alimentos e resíduos vegetais em adubo orgânico de alta qualidade em um prazo médio de 30 a 45 dias, muito inferior ao tempo tradicional da compostagem convencional.

A tecnologia foi desenvolvida pela startup gaúcha Igapó, em parceria com o Instituto Pólis, Global Methane Hub, Ministério do Meio Ambiente, governo estadual e Sebrae. O processo ocorre em duas etapas: a compostagem termofílica, que utiliza altas temperaturas para acelerar a decomposição e eliminar patógenos, e a vermicompostagem, realizada com a ação de minhocas, que melhora a qualidade do composto final.

O adubo produzido será destinado a agricultores familiares da região, promovendo o reaproveitamento local dos resíduos e fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis, em consonância com os princípios da economia circular.

Impactos ambientais e sociais

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Foto: Reprodução/Pexels

Especialistas destacam que o projeto contribui diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa associadas à decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários, especialmente o metano, um dos gases mais nocivos ao clima. Além disso, a iniciativa reduz custos logísticos e operacionais do sistema de limpeza urbana e amplia a conscientização da população sobre a separação correta do lixo.

Para o Instituto Pólis, a central pública demonstra que é possível tratar resíduos orgânicos em escala urbana, com eficiência técnica e impacto social positivo. “Agora, provamos que é viável reciclar sobras de alimentos e resíduos vegetais, transformando-os em adubo orgânico por meio da compostagem, reduzindo impactos ambientais e fortalecendo a economia local”, destacou um dos representantes da instituição.

As inaugurações fazem parte de um conjunto mais amplo de obras e intervenções ligadas à COP30. Segundo levantamento do g1, a área de infraestrutura e desenvolvimento urbano concentra 14 projetos, com investimentos que somam R$ 3,2 bilhões. Já as ações de mobilidade, saneamento e gestão de resíduos atingem dezenas de bairros da capital paraense, ampliando o alcance social das políticas públicas.

Fonte: G1

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