Especialista alerta para a necessidade de inovação tecnológica, enquanto projetos de lei e investimentos públicos apoiam o crescimento do setor.
O Brasil vive uma corrida para a construção de data centers, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial e pelo aumento da demanda por armazenamento e capacidade computacional. O número de projetos em análise com pedidos de conexão em redes elétricas mais que dobrou em 2024, com uma demanda projetada superior a 13,2 GW até 2035, de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia.
Se no passado os data centers exigiam cada vez mais energia, atualmente a eficiência e sustentabilidade são realidade para o setor, de acordo com Tonimar Dal Aba, gerente técnico da ManageEngine, divisão da Zoho Corporation e uma das líderes em soluções para gerenciamento de TI.
“Na última década, o cenário de data centers passou por mudanças significativas e as grandes companhias e o setor público reconheceram a necessidade de investir em data centers verdes, movidos por energia renovável e que contam com sistemas de resfriamento mais eficientes. Esses avanços resultaram em 10,1% de redução dentro do índice de Eficiência do Uso de Energia (PUE), métrica importante para avaliar a eficiência energética de data centers”, conta Dal Aba.
Projetos governamentais

Projetos governamentais e iniciativas públicas têm acompanhado essa demanda. O Plano Nacional de Inteligência Artificial (PBIA) destinará R$ 500 milhões para criar data centers sustentáveis, alimentados por energia limpa e projetados para serem mais eficientes, enquanto o Projeto de Lei 3.018/2024, em tramitação no Senado, propõe um marco regulatório focado em sustentabilidade, segurança e governança.
Com a evolução dos processadores e dos sistemas de refrigeração, a faixa de temperatura operacional também foi impactada e aumentou. Anteriormente, o desempenho ideal era entre 14°C e 16°C. Atualmente, os sistemas podem funcionar de maneira eficiente em temperaturas mais altas, variando de 18°C a 27°C. “A indústria aumentou a adoção dos sistemas de resfriamento fechado para reduzir o desperdício de água e energia. Ainda existem opções mais avançadas, como o direct-to-chip e resfriamento por imersão,” conta Dal Aba.
O Brasil tem se destacado como polo atrativo para data centers devido à sua grande disponibilidade de energia renovável a preços competitivos e infraestrutura de comunicação adequada para tráfego internacional de dados. Até 2030, é esperado que pelo menos 90% dos data centers do país implementem sistemas para redução do uso de água em seus processos de resfriamento.
“Data centers verdes são peças fundamentais para a progressão da IA generativa e do armazenamento de dados como grandes oportunidades para o presente e futuro. Mas a base dessa nova era digital precisa ser ética e eficiente. O setor de tecnologia tem a responsabilidade e a oportunidade de liderar essa transformação”, conclui Dal Aba.
Por: Tonimar Dal Aba, gerente técnico da ManageEngine, divisão da Zoho Corporation
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