Artemis II será o primeiro voo tripulado além da órbita terrestre desde 1972.
Por: Redação Portal Sustentabilidade
A Nasa se prepara para lançar a missão Artemis II, que levará quatro astronautas além da órbita terrestre baixa e em um sobrevoo da Lua, marcando o primeiro voo tripulado ao espaço profundo desde o encerramento do programa Apollo, em 1972. A missão deve durar cerca de dez dias e não prevê pouso no satélite natural, tendo como objetivo principal testar os sistemas da cápsula Orion e do foguete Space Launch System (SLS) em condições reais de operação.
A tripulação é formada por Reid Wiseman, comandante da missão; Victor Glover, piloto; Christina Koch, especialista de missão; e pelo canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA). Durante o voo, eles deverão atingir distâncias recordes em relação à Terra e realizar uma trajetória de retorno livre, que utiliza a gravidade da Terra e da Lua para reduzir manobras de propulsão e aumentar a segurança.
Treinamento intensivo

Desde junho de 2023, os astronautas participam de um programa intensivo de treinamento voltado à mitigação de riscos, já que, diferentemente das missões à Estação Espacial Internacional, não haverá possibilidade de retorno rápido à Terra nem abrigo alternativo em caso de emergência. O treinamento inclui simulações completas de lançamento, órbita, sobrevoo lunar, reentrada e amerissagem, além de preparação médica, uso de trajes espaciais, controle ambiental e suporte à vida.
A tripulação também treina em simuladores avançados da Orion, onde aprende a diagnosticar falhas, lidar com comunicação atrasada com a Terra e tomar decisões críticas de forma autônoma. Parte do treinamento ocorre em jatos T-38, que desenvolvem consciência situacional e resposta sob pressão, além de exercícios de fotografia lunar e estudos geológicos em ambientes análogos, como regiões vulcânicas, para apoiar futuras missões científicas.
Durante a viagem, a tripulação testará sistemas essenciais da Orion em ambiente de espaço profundo, como suporte de vida, comunicações, navegação e controle manual da cápsula. Os astronautas também realizarão manobras inéditas próximas a partes do foguete já separadas, simulando operações futuras, como acoplamentos com outras naves e estruturas espaciais.
Importância da missão

A Artemis II é considerada um passo decisivo para o programa Artemis, que prevê o retorno de humanos à superfície lunar nos próximos anos. Se a missão for bem-sucedida, abrirá caminho para a Artemis III, que deverá marcar o primeiro pouso na Lua desde 1972 e levar a primeira mulher e a primeira pessoa negra ao satélite natural.
Os atrasos recentes ocorreram principalmente após análises do escudo térmico da cápsula Orion, que apresentou desgastes inesperados durante a missão não tripulada Artemis I, em 2022. A Nasa realizou mais de 100 testes adicionais, ajustou o perfil de reentrada e reforçou a verificação dos sistemas de suporte à vida antes de autorizar o voo com tripulação.
Além da importância científica, a missão tem peso diplomático e geopolítico, reunindo parceiros como Canadá, Europa e Japão, e se insere no contexto de uma nova corrida espacial, marcada também pelos avanços chineses em exploração lunar.
Com a Artemis II, a Nasa busca não apenas retomar missões tripuladas além da órbita terrestre, mas consolidar as bases para uma presença humana duradoura na Lua e, futuramente, em Marte.









