Tecnologia desenvolvida no país converte subprodutos de processos químicos em insumos para novas sínteses e já foi licenciada globalmente.
Por: Redação Portal Sustentabilidade
A Merck Life Science Brasil desenvolveu e registrou uma patente voltada ao reaproveitamento de resíduos químicos industriais como matéria-prima para novos processos produtivos. A tecnologia, que já foi licenciada globalmente, utiliza inteligência química e sistemas digitais para identificar subprodutos industriais que podem ser reinseridos em cadeias produtivas, reduzindo desperdícios e ampliando a eficiência no uso de recursos.
A solução é aplicada principalmente ao reaproveitamento de solventes orgânicos residuais, aldeídos, álcoois, cetonas, ácidos orgânicos, intermediários de síntese, correntes laterais de reações químicas, resíduos de processos farmacêuticos, químicos finos e biotecnológicos, além de subprodutos líquidos oriundos de processos industriais que tradicionalmente seriam destinados à incineração ou tratamento químico, segundo informações da Merck Life Science.
Um dos exemplos técnicos descritos na patente é o reaproveitamento do hidroxiacetaldeído, um composto orgânico residual comum em determinadas rotas industriais, utilizado como reagente para a produção de moléculas de maior valor agregado. A tecnologia também permite mapear resíduos como solventes contaminados recuperáveis, subprodutos de reações oxidativas e redutivas, e frações residuais de sínteses orgânicas complexas.
Números da reciclagem industrial

No Brasil, a relevância desse tipo de tecnologia é significativa. O país gera cerca de 82 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, dos quais apenas aproximadamente 8% são reciclados. No setor industrial, dados do Sistema Nacional de Informações sobre Resíduos Sólidos indicam que as indústrias brasileiras geram anualmente cerca de 1,9 milhão de toneladas de resíduos industriais não perigosos e mais de 40 mil toneladas de resíduos perigosos, incluindo solventes contaminados, lodos químicos, óleos usados e correntes residuais de processos produtivos — materiais que, em grande parte, ainda são destinados à disposição final ou tratamento convencional.
A tecnologia desenvolvida pela Merck cruza dados sobre resíduos disponíveis com rotas químicas possíveis, identificando automaticamente quais subprodutos podem substituir matérias-primas convencionais em novas sínteses. A plataforma funciona como um sistema de roteamento químico, capaz de apontar alternativas produtivas para resíduos que atendam aos critérios técnicos, regulatórios e de segurança.
Segundo a empresa, a patente foi desenvolvida no Brasil e passou a integrar seu portfólio global de tecnologias. A iniciativa está alinhada a princípios de química verde e economia circular, ao priorizar a reutilização de materiais, reduzir a geração de resíduos finais e diminuir a dependência de insumos virgens na indústria química.
A adoção de soluções desse tipo acompanha uma tendência crescente no setor químico de integrar inovação digital à gestão de materiais, com foco em eficiência produtiva, redução de impactos ambientais e fortalecimento de cadeias industriais mais circulares.
Fonte: Merck Life Science Brasil









