Parque Nacional Marinho do Albardão torna-se o maior parque nacional marinho do Brasil e o maior fora da Amazônia, protegendo ecossistemas únicos no encontro de águas tropicais e subantárticas.
Após mais de duas décadas de debates e articulações técnicas, o governo federal oficializou a criação do Parque Nacional Marinho do Albardão, localizado no extremo sul do Brasil, próximo à fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na sexta-feira (6).
Com mais de 1 milhão de hectares de área oceânica protegida, a nova unidade de conservação passa a ser o maior parque nacional marinho do país e também o maior parque nacional localizado fora da Amazônia.
A região do Albardão é considerada estratégica para a conservação da biodiversidade marinha. O local reúne águas tropicais e subantárticas, formando ecossistemas únicos que incluem recifes naturais e áreas importantes para a estabilidade climática, proteção da linha de costa e manutenção da biodiversidade.
Diversidade biológica

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o parque abrange uma faixa contínua que se estende da costa até cerca de 106 quilômetros mar adentro, incluindo diferentes zonas marinhas com grande diversidade biológica.
A área também funciona como local de alimentação e descanso para diversas espécies migratórias que percorrem grandes distâncias entre os hemisférios norte e sul.
A criação do parque ocorre após anos de mobilização de pesquisadores, órgãos públicos e organizações da sociedade civil. A região já havia sido apontada como prioritária para conservação em 2004, e desde 2008 havia um processo em andamento para a criação da unidade.
O desenho da área protegida inclui também a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, com cerca de 56 mil hectares, abrangendo um trecho da praia e ampliando a proteção costeira. Além disso, foi estabelecida uma zona de amortecimento de aproximadamente 558 mil hectares ao redor das unidades de conservação.
Enquanto parques nacionais possuem regime de proteção integral, permitindo apenas atividades como pesquisa científica, educação ambiental e turismo controlado, as APAs permitem atividades econômicas desde que compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais.
A região também é considerada estratégica para projetos de energia eólica. Segundo o governo federal, eventuais atividades de geração de energia poderão ocorrer na zona de amortecimento, desde que respeitem critérios ambientais definidos no plano de manejo da unidade.
A criação do Parque Nacional Marinho do Albardão amplia a rede de áreas marinhas protegidas no Brasil e reforça iniciativas voltadas à conservação da biodiversidade e à proteção de ecossistemas marinhos estratégicos.
Fonte: Folha de SP