Equipamento desenvolvido na UFPB espalha sementes em áreas degradadas, promovendo a recuperação do bioma com baixo custo e maior eficiência, enquanto contribui para a captação de carbono e a mitigação das mudanças climáticas.
Por: Redação Portal Sustentabilidade
Na região do Cariri da Paraíba, onde a escassez de chuvas é severa, um projeto inovador está ajudando a restaurar o bioma da Caatinga de forma sustentável.
Um foguete, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), está sendo utilizado para espalhar sementes de espécies nativas em áreas degradadas, promovendo o reflorestamento com baixo custo e alta eficiência.
A Caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro, tem enfrentado décadas de devastação, mas iniciativas como essa podem mudar o cenário.
Garrafas PET na fabricação

O foguete, criado pelo físico Renan Aversar durante seu doutorado, utiliza garrafas PET, fibra de vidro e impressoras 3D em sua fabricação.
O lançamento é feito através de pressão de ar e água, e o equipamento é capaz de espalhar as sementes em uma área de até um hectare com apenas oito lançamentos.
As sementes, tratadas e peletizadas para aumentar a taxa de germinação, têm gerado resultados promissores. Cerca de 20% das sementes lançadas conseguiram germinar em testes conduzidos na cidade de Cabaceiras, considerada a mais seca do Brasil.
Bartolomeu Israel, professor de Geociências da UFPB, explicou que o processo de peletização das sementes é essencial para sua sobrevivência no ambiente árido da Caatinga.
O revestimento que envolve as sementes permite a retenção de umidade durante o período chuvoso, garantindo que elas resistam à estação seca e tenham tempo suficiente para germinar e crescer.
Recuperação da vegetação nativa

Dois anos após o início dos testes com o foguete, os pesquisadores já observam os frutos de seus esforços. Em uma área degradada onde o projeto foi implantado, plantas como o pinhão-bravo começaram a brotar e a dar frutos, demonstrando o potencial de recuperação da vegetação nativa.
Além de ser uma solução sustentável, o foguete oferece uma alternativa mais barata em comparação com técnicas tradicionais de reflorestamento, como o uso de aviões e helicópteros.
A preservação da Caatinga é de extrema importância não apenas para a biodiversidade local, mas também para o controle do aquecimento global.
Segundo Valéria Peixoto Borges, professora da UFPB, a Caatinga tem um papel fundamental na captação de carbono, contribuindo de forma significativa para a mitigação das mudanças climáticas.
“As últimas pesquisas mostram que ela contribui mais ainda do que as florestas úmidas na captação de carbono. Isso ajuda a minimizar o aquecimento global”, afirma a professora.
Iniciativas como o foguete de reflorestamento da UFPB mostram que é possível recuperar áreas degradadas de forma acessível e eficiente, utilizando tecnologias sustentáveis que minimizam o impacto ambiental. Para além de seu benefício imediato ao ecossistema local, essas ações também podem ser parte da solução para desafios globais, como o aquecimento global e a perda de biodiversidade.
Com o avanço de projetos como esse, o futuro da Caatinga pode ser mais verde e resiliente, beneficiando tanto o meio ambiente quanto as comunidades que dependem desse bioma para sua subsistência.
A inovação tecnológica, aliada à preservação ambiental, mostra-se uma ferramenta poderosa para garantir a sustentabilidade da Caatinga e de outros biomas em risco.
Fonte: JN









