Na unidade da Votorantim Cimentos em Primavera (PA), resíduos do fruto amazônico reduzem emissões de CO₂, geram renda local e promovem a transição para uma indústria de baixo carbono.
Por: Redação Portal Sustentabilidade
O Brasil produz cerca de 1,7 milhão de toneladas de açaí por ano, concentradas principalmente no Pará, mas apenas uma pequena parte desse volume é transformada em polpa para consumo humano. O restante, representando aproximadamente 80% do peso do fruto, é descartado como caroço, gerando grandes volumes de resíduos. Na unidade da Votorantim Cimentos em Primavera (PA), esses resíduos estão sendo utilizados como combustível alternativo, transformando o que antes era descartado em uma fonte de energia para a produção de cimento.
O coprocessamento consiste na substituição de combustíveis fósseis por resíduos orgânicos ou industriais em fornos de produção. Dessa forma, o caroço de açaí passa a alimentar o moinho de cru e o forno de clínquer, que é o principal componente do cimento. O resultado é uma redução significativa das emissões de CO₂ e o aproveitamento de resíduos que antes tinham pouco ou nenhum valor econômico.
Em 2024, 64,3% do combustível utilizado na fábrica de Primavera foi composto por resíduos, incluindo não apenas o caroço de açaí, mas também cavaco de madeira, briquete de serragem, pó de serra e moinhas de carvão combustível. Essa prática contribui para a descarbonização da indústria e fortalece a economia circular, permitindo que produtores de açaí comercializem os caroços antes descartados, aumentando sua renda e evitando impactos ambientais como a contaminação de rios e o acúmulo em aterros sanitários.
“Para nós, é um orgulho fortalecermos a indústria do Pará com soluções que geram valor ambiental, social e econômico. O aproveitamento integral do açaí exemplifica nossa jornada de descarbonização e compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, afirma Rodrigo Telles, gerente da unidade.
Resultados concretos na redução de emissões

Encerrando 2024, a Votorantim Cimentos registrou 550 kg de CO₂ por tonelada de cimentício produzido, representando uma redução de 27,9% em relação ao ano base de 1990. Em comparação com 2023, houve diminuição de 1% na emissão por tonelada de produto. A meta estabelecida para 2030, aprovada pelo Science Based Target initiative (SBTi), é de 475 kg de CO₂ por tonelada.
Além do coprocessamento, a empresa investe em quatro pilares estratégicos para acelerar a descarbonização:
- Uso de cimentícios alternativos: substituição parcial do clínquer por subprodutos industriais, reduzindo a intensidade de carbono do cimento;
- Eficiência energética e fontes renováveis: utilização de hidrelétricas próprias e investimentos em energia solar e eólica;
- Desenvolvimento tecnológico e inovação: aplicação de processos de captura e armazenamento de carbono, pesquisa em novos materiais, otimização da cadeia produtiva e parcerias com universidades e instituições de pesquisa;
- Economia circular: integração de toda a cadeia produtiva, garantindo que resíduos de outras indústrias e do próprio açaí gerem valor econômico e ambiental.
Economia circular e impacto social

O reaproveitamento do caroço de açaí é um exemplo claro de economia circular na prática. Produtores que antes descartavam os caroços agora obtêm uma nova fonte de renda, enquanto a indústria reduz sua dependência de combustíveis fósseis. Além disso, o descarte inadequado desses resíduos, que poderia prejudicar rios e ecossistemas locais, é evitado.
A iniciativa também fortalece a indústria amazônica, servindo como referência para outras empresas da região que buscam soluções sustentáveis. Ao combinar inovação tecnológica com responsabilidade ambiental e social, o uso do caroço de açaí demonstra que é possível conciliar produtividade industrial, preservação ambiental e inclusão econômica.
Embora os resultados já sejam significativos, a expansão dessa tecnologia para outras unidades e regiões ainda enfrenta desafios logísticos e tecnológicos, como o transporte e armazenamento da biomassa em larga escala. No entanto, o potencial é enorme: além de fornecer energia para a produção de cimento, as cinzas geradas podem ser estudadas para aplicação na melhoria de propriedades mecânicas de concretos e argamassas, agregando ainda mais valor ao resíduo.
Com essa abordagem, a Votorantim Cimentos transforma o caroço de açaí em uma solução sustentável, que contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, fortalece a economia local e impulsiona a transição da indústria brasileira para um modelo de baixo carbono.
Com informações da Votorantim Cimentos









