Energia solar e eólica superam o carvão como principais fontes de eletricidade do mundo

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Um estudo recente aponta que, no primeiro semestre de 2025, a geração de energia limpa ultrapassou a do carvão e cresceu mais rápido que a demanda global, marcando um ponto de virada na transição energética.
Por: Redação Portal Sustentabilidade

A geração de energia solar e eólica superou, pela primeira vez na história, o carvão como principal fonte de eletricidade no planeta, de acordo com um levantamento da Ember, um think tank internacional que monitora dados de produção de energia e emissões de carbono em mais de 80 países. O estudo indica que, entre janeiro e junho de 2025, essas fontes limpas cresceram mais rápido do que a própria demanda global, sinalizando que a transição para energias renováveis está avançando de forma consistente.

Segundo o relatório, a energia solar global cresceu 31%, atingindo um recorde histórico, enquanto a energia eólica avançou 7,7%. Juntas, essas fontes adicionaram mais de 400 terawatts-hora (TWh) à rede elétrica mundial, superando o aumento da demanda por eletricidade no mesmo período.

China e Índia lideram avanço das renováveis

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Foto: Reprodução/Pexels

Países como China e Índia foram decisivos para esse avanço. A Ember indica que, no primeiro semestre, a China instalou mais capacidade solar e eólica do que o resto do mundo combinado. O país também reduziu em 2% a geração por combustíveis fósseis, o que resultou em menor emissão de gases de efeito estufa.

Na Índia, o crescimento das energias renováveis superou o aumento da demanda, levando a uma redução do uso de carvão e gás. Para Michael Gerrard, diretor do Sabin Centre for Climate Change Law, da Universidade de Columbia, os dados indicam uma mudança de paradigma. “Durante muito tempo se afirmou que o avanço das renováveis não reduzia o uso de fósseis. Este relatório mostra um cenário encorajador no sentido contrário”, afirmou.

Nos Estados Unidos e na União Europeia, o cenário é mais complexo, de acordo com o estudo. Nos EUA, a demanda cresceu mais rápido do que a capacidade de geração limpa, enquanto mudanças recentes nas políticas federais afetaram investimentos em energia renovável. O governo atual encerrou financiamentos para projetos limpos, suspendeu regulamentações climáticas e retomou incentivos ao carvão, petróleo e gás.

Ainda assim, especialistas veem espaço para crescimento. “As renováveis ainda podem avançar e reduzir a dependência de fósseis, mesmo com o aumento da demanda”, disse Amanda Smith, cientista do Project Drawdown. “Sou cautelosamente otimista em relação aos EUA e mais confiante quanto ao cenário global.”

Na União Europeia, a menor produção de energia eólica e hidrelétrica durante o período levou a um aumento temporário no uso de carvão e gás, elevando as emissões em parte do bloco.

Um marco na transição energética

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Foto: Reprodução/Pexels

Segundo o relatório da Ember, que analisou dados mensais de 88 países, responsáveis pela maior parte da demanda global, confirma uma tendência clara: o avanço constante das fontes renováveis sobre os combustíveis fósseis.

Mesmo com o crescimento populacional e industrial, solar e eólica conseguem sustentar o aumento do consumo global de forma limpa e economicamente viável.

Para a analista sênior da Ember, Małgorzata Wiatros-Motyka, líder do estudo, os dados demonstram que as renováveis estão conseguindo acompanhar o crescimento acelerado do consumo mundial. “Isso significa que as fontes limpas já conseguem crescer na mesma velocidade do apetite global por eletricidade”, disse.

O estudo também aponta uma queda modesta na geração por combustíveis fósseis, inferior a 1%, mas considerada simbólica pelos especialistas. “É um ponto de virada importante. Estamos começando a ver as emissões se estabilizarem”, acrescentou Wiatros-Motyka.

Em síntese, o marco registrado em 2025 é mais do que um recorde de produção: é um sinal concreto de que o mundo está começando a reduzir sua dependência de fontes poluentes. Se o ritmo atual de investimentos e inovação tecnológica continuar, a próxima década poderá consolidar definitivamente as energias renováveis como o pilar da matriz elétrica global, conclui a pesquisa.

Fonte: Euronews

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