Casa dos Ventos e Vestas fecham contrato de R$ 5 bilhões para novo parque eólico no Piauí

parque eólico
Projeto de 828 MW marca retomada dos investimentos na indústria eólica após retração iniciada em 2023 e reacende debate sobre infraestrutura e cortes de energia no estado.
Por: Redação Portal Sustentabilidade

A Casa dos Ventos e a fabricante dinamarquesa Vestas anunciaram a assinatura de um contrato estimado em R$ 5 bilhões para a implantação de um novo parque eólico no sul do Piauí, movimento que sinaliza a retomada de investimentos no setor eólico brasileiro após um período de retração iniciado em 2023.

O projeto prevê a instalação de 184 aerogeradores, com capacidade total de 828 megawatts, distribuídos entre os municípios de Dom Inocêncio, Lagoa do Barro e Queimada Nova. O início das obras está previsto para 2026, com conclusão e entrada em operação estimadas para 2028.

Além do fornecimento dos equipamentos, a Vestas ficará responsável pela execução do projeto e pelos serviços de operação e manutenção do parque por um período de 25 anos, consolidando uma parceria de longo prazo entre as empresas.

Abastecimento de data centers

parque eólico
Foto: Reprodução/Pexels

Parte significativa da energia produzida deverá ser destinada ao abastecimento de data centers localizados no Nordeste e no Sudeste, além de projetos voltados à produção de hidrogênio verde, segmentos que vêm impulsionando a demanda por energia renovável de grande escala no país.

O anúncio é considerado positivo para a cadeia eólica nacional, que nos últimos anos enfrentou desaceleração devido ao excesso de oferta de energia no sistema elétrico, à expansão acelerada da geração solar e à redução na contratação de novos empreendimentos. Esse cenário resultou na diminuição das encomendas e na saída de fabricantes do mercado brasileiro.

Apesar do elevado potencial eólico do Piauí, hoje o terceiro maior gerador do país, o novo empreendimento reacende o debate sobre as limitações da infraestrutura de transmissão na região. O estado figura entre os que mais registram cortes de geração determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico, seja por excesso de produção, seja por restrições no escoamento da energia.

Dados recentes do ONS indicam que parte relevante desses cortes ocorre justamente nos pontos de conexão próximos à área onde o parque será instalado, o que pode impactar o aproveitamento da energia gerada.

Especialistas avaliam que a chegada de grandes consumidores, como data centers, pode contribuir para reduzir o excedente energético, mas alertam que a solução depende de planejamento integrado, ampliação da malha de transmissão e ajustes regulatórios.

Mesmo diante dos desafios, o projeto reforça o papel do Nordeste como eixo estratégico da transição energética brasileira e indica uma possível retomada do ritmo de investimentos no setor eólico após um período marcado por incertezas.

Fonte: Folha De SP

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Veja também

Receba diretamente em seu e-mail nossa Newsletter

Faça sua busca
Siga-nos nas redes sociais

  Últimos Artigos