Hospitais cortam consumo de óxido nitroso, responsável por emissões até 265 vezes mais potentes que o CO₂, e avançam em metas de sustentabilidade.
A Rede D’Or, um dos maiores grupos privados de saúde do Brasil, vem adotando medidas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa em suas unidades. Uma das principais ações foi a diminuição significativa no uso de óxido nitroso (N₂O), um gás anestésico com potencial de aquecimento global 265 vezes maior que o dióxido de carbono (CO₂). Em 2025, a rede registrou uma redução de 73,5% no consumo desse gás.
A iniciativa começou pelos hospitais São Luiz Itaim e São Luiz Anália Franco, em São Paulo, e foi estendida para outras 79 unidades do grupo. Entre janeiro e outubro de 2024, a mediana de consumo global de N₂O nessas unidades era de 17 toneladas. Em fevereiro de 2025, após a implementação das mudanças, esse número caiu para 4,5 toneladas.
Redução nas emissões

A economia ambiental gerada equivale à emissão de um veículo a combustão após percorrer cerca de 31 milhões de quilômetros — o equivalente a 777 voltas ao redor da Terra. A redução média nas emissões por procedimento anestésico também foi expressiva: de 44 kg para 7,8 kg de CO₂, o que representa uma queda de 82%, acima da meta inicial do projeto.
Apesar de suas propriedades analgésicas e sedativas, o uso do N₂O tem sido reavaliado devido aos impactos ambientais. O grupo de saúde passou a adotar técnicas alternativas de anestesia, além de novos protocolos de monitoramento e uso restrito do gás. As mudanças envolveram treinamentos com profissionais da área, auditorias e ferramentas de controle em tempo real.
Segundo a direção da Rede D’Or, o objetivo é eliminar totalmente o uso do óxido nitroso nos próximos anos. A rede afirma que vem implementando as mudanças antes da repercussão global do tema durante a COP29, realizada em 2024 no Azerbaijão.
Além do aspecto ambiental, a medida gerou economia nos custos operacionais. Os gastos mensais com o N₂O foram reduzidos pela metade.
A ação ocorre em um contexto em que o setor da saúde é responsável por cerca de 5% das emissões globais de gases de efeito estufa, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A experiência da Rede D’Or pode servir de referência para outras instituições que buscam conciliar práticas clínicas com metas de sustentabilidade.









