Com tecnologia enzimática inédita, a Rubi converte emissões de carbono em fibras biodegradáveis como viscose e liocel.
Por: Redação Portal Sustentabilidade
Uma revolução na indústria têxtil está em curso graças a uma inovação desenvolvida pelas irmãs gêmeas Neeka e Leila Mashouf. Por meio da startup Rubi, elas criaram um processo enzimático de última geração capaz de capturar emissões de CO₂ e transformá-las diretamente em fibras têxteis biodegradáveis, como viscose e liocel, com custo reduzido e impacto ambiental praticamente nulo.
A tecnologia, bioinspirada e inédita no mercado, desvia o CO₂ que seria lançado na atmosfera para dentro de um sistema de reatores. Ali, uma sequência de enzimas selecionadas, que funcionam como verdadeiros “engenheiros químicos da natureza”, converte o carbono em polpa de celulose pura. Essa polpa segue os mesmos processos da indústria convencional: é dissolvida, extrudada em fibras, transformada em fios e, posteriormente, em tecidos prontos para o mercado.
O diferencial da Rubi está no modelo de produção carbono negativo, neutro em consumo de água e solo, e completamente circular. O sistema funciona sem a utilização de células vivas, o que permite que 100% do CO₂ capturado seja convertido diretamente em celulose, sem gerar resíduos celulares e sem o alto consumo de energia típico dos processos biotecnológicos tradicionais.
Captura de carbono

O próprio processo é cíclico. Os materiais usados para capturar o carbono são regenerados, tornando o sistema altamente eficiente e sustentável. A tecnologia aceita, inclusive, gases de combustão oriundos de instalações industriais, transformando diretamente os resíduos em matéria-prima utilizável na cadeia têxtil.
Ao final da vida útil, os tecidos produzidos pela Rubi são 100% biodegradáveis, retornando naturalmente ao ciclo do carbono, assim como ocorre com papel, madeira ou plantas.
Mais do que uma solução para a moda, considerada atualmente a terceira cadeia de suprimentos mais poluente do mundo, a Rubi oferece uma resposta concreta e escalável à crise climática. A empresa já trabalha em colaboração com grandes marcas globais, como Walmart, Patagonia e H&M, e projeta expandir sua tecnologia para outros setores, como embalagens, cosméticos, indústria farmacêutica, alimentícia e até materiais de construção.
“Nossa missão é reinventar as cadeias de suprimentos para que sejam simbióticas com o planeta. Acreditamos em um mundo onde a prosperidade humana caminhe em harmonia com a prosperidade ecológica”, afirmam as fundadoras.
A Rubi não para de investir em inovação. Seu time de cientistas e engenheiros conduz pesquisas avançadas em biologia molecular, aprendizado de máquina e inteligência artificial, tanto em laboratório quanto em centros de supercomputação. O objetivo é aprimorar constantemente o processo e levar, cada vez mais rápido, soluções físicas e escaláveis ao mercado, com impacto direto na redução das mudanças climáticas.
Em um mundo que clama por soluções urgentes, acessíveis e de baixo impacto, a Rubi surge como uma resposta concreta para transformar o CO₂ — antes um problema — em matéria-prima valiosa para um futuro sustentável.









