Brasil investe US$ 1 bilhão no fundo internacional para florestas tropicais

florestas tropicais

Na ONU, o Brasil anunciou o primeiro aporte no fundo internacional para florestas tropicais, que remunera países e comunidades pela preservação ambiental.

Por: Redação Portal Sustentabilidade

O Brasil anunciou no dia 23 de setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, o primeiro investimento no fundo internacional para florestas tropicais. O governo federal confirmou o aporte de US$ 1 bilhão, tornando o país o primeiro a aderir oficialmente à iniciativa. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) – que deve ser lançado durante a COP30 – fará pagamentos a países que garantam a conservação dessas florestas. No total, mais de 70 países em desenvolvimento com florestas tropicais poderão receber os recursos deste que poderá ser um dos maiores fundos multilaterais já criados no planeta.

Ao realizar pagamento por florestas em pé, protegidas de desmatamento e degradação em biomas como a Mata Atlântica, a Amazônia, as florestas da Bacia do Congo e do Mekong/Borneo, o TFFF reconhece serviços ambientais fundamentais prestados por estes ambientes em todo o mundo e sua importância para a sustentação de atividades econômicas.

O fundo transforma a preservação ambiental em um investimento sustentável, de acordo com o governo. A proposta funciona como uma poupança: governos e investidores aplicam recursos e recebem rendimentos fixos. A diferença é que o lucro é usado para recompensar os países que mantêm suas florestas tropicais em pé.

Geração de renda

florestas tropicais
Foto: Reprodução/Pexels

O sistema de retorno fixo administrará os valores investidos e distribuirá os rendimentos de forma proporcional à área de floresta preservada. A estimativa é de que cada hectare mantido gere cerca de US$ 4 por mês, com monitoramento por satélite.

Além disso, parte do dinheiro será direcionada a ações de conservação ambiental e a programas de geração de renda em comunidades que vivem próximas às florestas. Assim, o fundo busca equilibrar economia, sustentabilidade e inclusão social.

Essa estrutura tem uma grande vantagem: ela cria valor econômico direto para a proteção da natureza. Diferente dos modelos de compensação de carbono, que podem ser instáveis, o fundo garante pagamentos contínuos e previsíveis, atraindo investidores e fortalecendo políticas de preservação.

Apesar do entusiasmo brasileiro, até o momento nenhum outro país confirmou aportes no fundo. Para Ilona Szabó, cofundadora do Instituto Igarapé, o desafio será atrair adesão internacional em escala significativa.

“O Brasil vem fazer um chamado de ação, coloca o valor da contribuição na mesa. O desafio vai ser realmente que outros países venham, e venham com montantes maiores em Belém.”

Ecossistemas essenciais

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Foto: Reprodução/Pexels

As florestas tropicais estão presentes em 73 países e são essenciais para o equilíbrio climático do planeta. Elas abrigam uma enorme biodiversidade, regulam o regime de chuvas e ajudam a conter o aquecimento global ao absorver gases de efeito estufa.

Com o fundo internacional para florestas tropicais, a preservação ganha um novo significado. Agora, manter a floresta viva é também uma forma de gerar desenvolvimento econômico, criar empregos e promover estabilidade ambiental.

Se mais países adotarem o mecanismo, eles poderão inaugurar uma nova fase da economia verde, fazendo com que lucro e natureza caminhem juntos para garantir um futuro mais sustentável, segundo o governo.

O sucesso do fundo dependerá agora da capacidade de mobilizar outros países e investidores. Se a adesão for ampla, especialistas acreditam que o mecanismo poderá inaugurar uma nova fase na governança climática mundial, onde manter a floresta em pé se tornará não apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade econômica sustentável para todos.

Fonte: JN

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