Brasil antecipa meta de reciclagem de vidro e já supera índice previsto para 2032

vidro
País alcançou 38,6% de reaproveitamento em 2024, mas desafios logísticos ainda limitam avanço em algumas regiões.
Por: Redação Portal Sustentabilidade

O Brasil atingiu em 2024 um marco inédito na reciclagem de vidro ao superar, com quase uma década de antecedência, a meta nacional prevista para 2032. De acordo com dados da Circula Vidro, o índice de reaproveitamento chegou a 38,6% do material usado na fabricação de novos produtos, impulsionado pela ampliação da logística reversa e pelo fortalecimento das cooperativas.

O Decreto Federal nº 11.300/2022, que regulamenta a logística reversa de embalagens de vidro no país, a meta mínima de reciclagem era de 27% em 2024, com avanço gradual para 30% em 2027, 33% em 2030 e 35% até 2032. O desempenho registrado, portanto, já supera os percentuais previstos para os próximos anos e o setor agora trabalha com a meta voluntária de atingir 40% da reciclagem.

Emissão de CO2
vidro
Foto: Reprodução/Pexels

De acordo com o levantamento do setor, foram recicladas 596.273 toneladas de vidro em 2024. A reciclagem não somente reduz de forma significativa os impactos ambientais do material, cuja produção consome grande quantidade de energia e gera emissões de dióxido de carbono (CO₂), como contribui com as cooperativas de catadores.

Segundo a diretora-geral da Massfix, Juliana Schunck, a cada seis toneladas de vidro reciclado, deixa-se de emitir uma tonelada de CO₂. Ainda de acordo com ela, cerca de 800 mil toneladas de vidro são descartadas inadequadamente por ano no Brasil, o que representa um impacto ambiental relevante, já que o material demora milhares de anos para se decompor.

Para ser reaproveitado, o vidro precisa ser separado de outros resíduos e classificado entre incolor e misto de cores antes de retornar à indústria. Segundo dados do setor, em 2024 a reciclagem evitou a emissão de mais de 99,5 mil toneladas de CO₂ e movimentou aproximadamente R$ 350 milhões, além de gerar empregos ao longo da cadeia produtiva.

Desafios

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Foto: Reprodução/Pexels

Apesar do avanço, o país ainda está distante dos índices registrados na Europa. Segundo entidades internacionais do setor vidreiro, na Alemanha cerca de 90% da matéria-prima usada na fabricação de novas embalagens de vidro vem de material reciclado, enquanto a média europeia gira em torno de 80%.

Entre os principais desafios estão os custos logísticos e a baixa cobertura de coleta seletiva nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde o transporte até centros de reciclagem, concentrados no Sul e Sudeste, encarece o processo. De acordo com o presidente executivo da Circula Vidro, Alexandre Macário, o setor defende maior participação do poder público, ampliação dos pontos de entrega e fortalecimento das cooperativas. “A responsabilidade é compartilhada”, afirma.

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são responsáveis pela logística reversa das embalagens, garantindo o retorno do material ao ciclo produtivo. O setor agora trabalha para elevar o índice nacional de reciclagem do vidro para 40% nos próximos anos.

Fonte: Jornal Hoje

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