Dia Internacional das Florestas: Preservar é essencial para uma economia sustentável

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Sistemas agroflorestais, por exemplo, integram árvores, cultivos agrícolas e, em alguns casos, a pecuária, reproduzindo processos naturais e promovendo a recuperação de solos, a biodiversidade e a produção sustentável.

Celebrado em 21 de março, o Dia Internacional das Florestas, instituído pela Organização das Nações Unidas, propõe uma reflexão global sobre a importância desses ecossistemas. Em 2026, o tema “Florestas e Economia” reforça o papel estratégico das florestas não apenas na conservação ambiental, mas também na promoção de modelos econômicos mais sustentáveis.

As florestas recobrem cerca de um terço da superfície do planeta e ocupam aproximadamente metade do território brasileiro. São essenciais para a manutenção da biodiversidade, para a regulação do clima e para a preservação dos recursos hídricos, além de sustentarem comunidades que dependem diretamente desses ambientes.

Apesar dessa relevância, o avanço de modelos baseados na substituição da vegetação nativa por monoculturas tem provocado impactos significativos. A supressão de florestas e de outros biomas compromete o equilíbrio ecológico e afeta diretamente a fauna e a flora. No Cerrado, por exemplo, a perda de cobertura vegetal impacta um sistema complexo, muitas vezes invisível à superfície, já que grande parte de sua biomassa está concentrada no subsolo. Esse sistema radicular profundo é fundamental para a recarga de aquíferos e para a resiliência do bioma frente a períodos de seca e queimadas.

Desenvolvimento sustentável

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Foto: Mário Barila

A eliminação desses ecossistemas resulta na perda direta de biodiversidade. Em grandes extensões de monocultura, ambientes naturais complexos dão lugar a áreas homogêneas, com redução significativa de espécies e desequilíbrio das cadeias ecológicas.

Diante desse cenário, cresce a necessidade de modelos produtivos que conciliem desenvolvimento e conservação. Sistemas agroflorestais, por exemplo, integram árvores, cultivos agrícolas e, em alguns casos, a pecuária, reproduzindo processos naturais e promovendo a recuperação de solos, a biodiversidade e a produção sustentável.

Na prática, iniciativas de recuperação ambiental demonstram que esse equilíbrio é possível. O Projeto Água Vida apoia ações em diferentes biomas brasileiros, com o plantio de espécies nativas e a recomposição de áreas degradadas. No Pantanal, o incentivo ao cultivo de árvores como o manduvi contribui para a oferta de abrigo às araras, enquanto o plantio de espécies como a lobeira favorece a alimentação do lobo-guará, evidenciando como ações direcionadas podem apoiar a fauna e restaurar funções ecológicas.

O tema deste ano do Dia Internacional das Florestas reforça que florestas e economia não são opostos, mas interdependentes. Economias saudáveis dependem de ecossistemas equilibrados, capazes de garantir água, solo fértil, estabilidade climática e biodiversidade. A reflexão proposta vai além da conservação: trata-se de repensar modelos e reconhecer que o futuro econômico está diretamente ligado à capacidade de preservar os recursos naturais.

Promover esse equilíbrio exige planejamento de longo prazo, políticas públicas consistentes e incentivo a práticas produtivas sustentáveis. Também requer o reconhecimento de que a preservação das florestas não é um obstáculo ao desenvolvimento, mas uma condição essencial para que ele ocorra de forma duradoura. 

Por: Mário Barila, fotógrafo e ambientalista, fundador do Projeto Água Vida, de apoio e promoção de ações socioambientais.

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