Educação socioambiental: um desafio

socioambiental

Embora as instituições educacionais tenham avançado na sustentabilidade socioambiental, ainda há uma dívida com a preservação da biodiversidade.

O que entendemos como desenvolvimento sustentável? Parece que responder essa questão ainda é um problema para uma boa parte da sociedade. Se por um lado queremos preservar o meio ambiente, por outro compactuamos com o progresso econômico insustentável de nossas cidades.

Nem sempre a educação ambiental está vinculada a políticas ambientais, quase sempre atendendo aos interesses empresariais.

Surge uma questão: as decisões políticas relacionadas, por exemplo, aos licenciamentos, estão a serviço de uma sociedade sustentável? Pensamos então na educação que dificilmente questiona o poder público e apenas reproduz modelos impostos pelas grandes mídias, redes sociais ou mesmo pela administração pública.

Responsabilidade socioambiental

educação ambiental
Foto: Reprodução/Pexels

Sabemos que há uma relutância por parte das políticas para implementar um projeto sustentável que respeite áreas de preservação, margens de recuo, cursos d’água garantindo o equilíbrio da ocupação urbana e ecossistema ao mesmo tempo.

A flexibilização para licenciamentos é uma questão central para ser avaliada, frente a um futuro ambiental inseguro que se desenha. Atender demandas empreendedoras resolverá o problema da escassez de água, de conflitos habitacionais ou mesmo evitará catástrofes face aos avanços ilimitados do setor imobiliário e industrial?

Volto aqui a refletir sobre a importância de uma cidade sustentável, bem como da educação para a responsabilidade cidadã diante das exigências humanas e ambientais.

Inúmeras pesquisas acadêmicas apontam para uma complexa discussão sobre políticas ambientais insatisfatórias que tramitam no congresso e nas Câmaras municipais, implantando ações em desacordo com órgãos ambientais competente.

Nesse sentido, a pesquisa científica pode oferecer uma importante contribuição para esse debate, e torna-se fundamental identificar os representantes dos diferentes discursos, cada qual defendendo seus interesses econômicos e profissionais.

A pesquisa acadêmica sobre meio ambiente, por exemplo, tem como um dos principais objetivos, analisar os projetos que envolvem licenciamento empresarial, avaliando cientificamente, com um método adequado, as contradições e inconsistências ambientais.

Educação ambiental

socioambiental
Foto: Reprodução/Pexels

Retomando a ideia sobre a educação ambiental, observa-se que ela ainda é tímida e o reflexo na sociedade parece ser imperceptível quando nos deparamos com atitudes pouco conscientes em relação à reciclagem do lixo, à participação da comunidade em projetos ambientais ou mesmo em suas escolhas políticas. Embora as instituições educacionais já avançaram muito em seus trabalhos pedagógicos agregando atividades com foco na sustentabilidade ambiental, existe ainda uma dívida para com a biodiversidade e sua preservação.

O desconhecimento sobre a melhor prática em muitas situações de bairros deve-se à ausência de incentivo por parte da administração pública e, ao mesmo tempo, um desinteresse do poder político em punir infratores do meio ambiente, a partir das grandes empresas.

O exercício da cidadania para o meio ambiente ainda está longe de ser uma prática adotada pela maioria da sociedade. Assim, as mudanças das leis a favor do empobrecimento de áreas que deveriam ser preservadas também são negligenciadas pelos moradores e pelas comunidades escolares que poderiam ser atores ativos nessa complexa discussão.

Finalmente, acredito que iniciativas de professores e estudantes para uma reflexão sobre cidade sustentável, bem como o envolvimento das instituições educacionais com projetos socioambientais, são esforços que precisam ganhar maior visibilidade e fazer parte da base curricular. Só então a Educação será instrumento de uma mudança de mentalidade política e sociocultural.

Referências:

COUTINHO,Maria Rosa. O Meio Ambiente Que Educa. SC, editora Letra D’arte, 2023.

Revista Ambiente & Sociedade. SP, V.XX n.1, 2017

Por: Maria Rosa de Miranda Coutinho – Mestre em Ciências Sociais/ UFSCar

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** ** Este artigo é de autor independente e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Sustentabilidade

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