Brasil apresenta plano climático com metas setoriais até 2035 para cortar emissões de gases do efeito estufa

ESG

Estratégia Nacional de Mitigação define ações para agricultura, energia, transportes, cidades, conservação, resíduos e efluentes com metas claras até 2030 e 2035.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) divulgou nesta sexta-feira, 18 de julho, os sete planos setoriais que integram a Estratégia Nacional de Mitigação (ENM), componente central do Plano Clima 2025-2035. Os documentos estarão disponíveis para consulta pública de 28 de julho até 18 de agosto na plataforma Brasil Participativo, neste link, onde a sociedade pode enviar sugestões que contribuirão para a versão final.

A ENM orienta a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) com base em metas definidas até 2035 e busca alinhar o Brasil ao compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2050. A sigla MtCO₂e, usada nos documentos, significa “milhões de toneladas equivalentes de dióxido de carbono”. Essa medida padroniza o impacto de diferentes gases de efeito estufa com base em seu potencial de aquecimento global, permitindo comparações e metas integradas.

Veja o que prevê cada um dos sete planos setoriais:

Agricultura e pecuária

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Foto: Reprodução/Pexels


Responsável por cerca de 30% das emissões brutas do país, o setor agropecuário busca reduzir suas emissões líquidas de 1.393 MtCO₂e em 2022 para 891 MtCO₂e em 2030, e para um intervalo entre 640 e 700 MtCO₂e em 2035. O plano propõe ações como recuperação de pastagens degradadas, plantio direto, uso de bioinsumos, ampliação de sistemas integrados como ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta) e SAFs (sistemas agroflorestais), além de iniciativas específicas para a agricultura familiar. Também inclui estratégias para o controle do desmatamento em propriedades rurais e restauração da vegetação nativa, com atenção à inclusão social e à transição justa.

Conservação da natureza

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Foto: Reprodução/Pexels


Com foco nos sete biomas brasileiros, o plano busca zerar o desmatamento ilegal em áreas públicas até 2030. As metas incluem ainda a ampliação de unidades de conservação, recuperação de vegetação nativa e combate à extração ilegal de madeira e aos incêndios florestais. Estima-se que o setor possa alcançar remoções líquidas de -317 MtCO₂e em 2030 e -325 MtCO₂e em 2035, ou seja, sequestrar mais carbono do que emitir. A estratégia considera a diversidade de categorias fundiárias e integra ações como os Planos de Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDs) e o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).

Cidades

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Foto: Reprodução/Pexels


As áreas urbanas concentram 61% da população brasileira e emitiram cerca de 136 MtCO₂e em 2022. O plano para cidades propõe reorganizar o padrão de ocupação urbana, incentivar a mobilidade ativa, fortalecer o transporte coletivo e estimular a eletrificação de frotas. Também são previstas ações de arborização urbana, retrofit de edifícios, uso de soluções baseadas na natureza e ampliação da geração distribuída com fontes renováveis. O objetivo é reduzir emissões absolutas do setor até 2035 e tornar as cidades mais resilientes, eficientes e inclusivas.

Energia

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Foto: Reprodução/Pexels


O setor energético brasileiro se destaca internacionalmente por sua matriz majoritariamente renovável, com 47,2% da oferta interna de energia proveniente de fontes limpas em 2022. Ainda assim, responde por cerca de 20% das emissões nacionais. O plano propõe a ampliação da energia solar e eólica, o uso de hidrogênio verde, a expansão da bioenergia, o fortalecimento da eficiência energética e a modernização da infraestrutura elétrica. Há ainda foco na redução do uso de combustíveis fósseis e na integração com os setores de transporte, indústria e edificações.

Transportes

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Foto: Reprodução/Pexels


O setor de transportes emitiu 116 MtCO₂e em 2022, com o modal rodoviário concentrando 85% dessas emissões. O plano visa reduzir significativamente essas emissões por meio da eletromobilidade, uso de biocombustíveis de baixa emissão, desenvolvimento de novas tecnologias e ampliação do transporte ferroviário e aquaviário. Estão previstas metas específicas para caminhões, ônibus e frotas de serviços urbanos, além da exigência de critérios ambientais em contratos de concessão e parcerias público-privadas no setor.

Resíduos sólidos e efluentes domésticos

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Foto: Reprodução/Pexels


O setor responde por cerca de 15% das emissões nacionais de metano, um dos gases mais potentes em termos de aquecimento global. Em 2022, foram emitidos 85 MtCO₂e, principalmente devido à disposição de resíduos em lixões e ao tratamento ineficiente de esgotos. O plano prevê o encerramento de lixões, ampliação da coleta seletiva, valorização energética do biogás e melhoria das estações de tratamento de esgoto. A substituição de tecnologias ultrapassadas por sistemas de maior eficiência é considerada essencial, assim como o manejo seguro do lodo sanitário.

Participação e governança

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Foto: Reprodução/Pexels


A elaboração dos planos envolveu 19 ministérios, além da sociedade civil, setor privado e comunidade científica. Após o encerramento da consulta pública, os documentos serão revisados e consolidados como diretrizes formais da política climática brasileira. A implementação será coordenada entre os ministérios, com mecanismos de monitoramento, avaliação contínua e revisões periódicas para garantir o cumprimento das metas e a transparência dos resultados.

O governo federal espera que a Estratégia Nacional de Mitigação, em conjunto com a Estratégia Nacional de Adaptação (em elaboração), represente um marco na política ambiental brasileira, posicionando o país como líder no enfrentamento à crise climática com desenvolvimento sustentável e justiça climática.

Fonte: MMA

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