Com exemplos como Curitiba e Franca, país registra melhora nos indicadores, embora ainda enfrente desafios em regiões com menor cobertura.
Por: Redação Portal Sustentabilidade
O novo Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, mostra que o país apresentou avanços importantes nos indicadores de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, mas ainda enfrenta desafios significativos para alcançar a universalização dos serviços até 2033, meta estabelecida pelo Novo Marco Legal do Saneamento Básico.
O estudo analisa os 100 municípios mais populosos do Brasil com base em dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), avaliando três dimensões principais: nível de atendimento, melhoria do atendimento e eficiência dos serviços.
Avanços nos indicadores nacionais

De acordo com o levantamento, houve evolução em indicadores-chave do saneamento. O atendimento total de água atingiu 84,1% da população brasileira em 2024, enquanto a coleta de esgoto chegou a 56,7%. Já o tratamento de esgoto alcançou 51,8%.
Os investimentos também cresceram: foram R$ 29,1 bilhões aplicados em água e esgoto em 2024, frente a R$ 26,3 bilhões em 2023.
O ranking evidencia forte desigualdade entre os municípios brasileiros. Entre os destaques positivos, os 10 melhores colocados são:
- Franca
- São José do Rio Preto
- Campinas
- Santos
- Limeira
- Goiânia
- Niterói
- Aparecida de Goiânia
- Foz do Iguaçu
- Taubaté
Esses municípios apresentam altos níveis de atendimento e eficiência, com alguns já próximos da universalização.
Na outra ponta, os 10 piores colocados são:
- Ananindeua
- Jaboatão dos Guararapes
- Macapá
- Belém
- Belford Roxo
- Parauapebas
- Várzea Grande
- Rio Branco
- Porto Velho
- Santarém
Essas cidades enfrentam déficits expressivos, principalmente em coleta e tratamento de esgoto.
Municípios com universalização e 100% de cobertura

O estudo destaca que 11 municípios já atingiram 100% de abastecimento de água, consolidando-se como referência nacional. Entre eles estão:
- Barueri
- Carapicuíba
- Curitiba
- Diadema
- Guarulhos
- Itaquaquecetuba
- Juiz de Fora
- Niterói
- Osasco
- Porto Alegre
- Santo André
Além disso, outras cidades já apresentam índices superiores a 99%, indicando estágio avançado de universalização.
Entre os destaques, Curitiba se consolida como uma das principais referências do país. Segundo o ranking, o município já atingiu:
- 100% de abastecimento de água
- 100% de coleta de esgoto
- cerca de 97,5% de tratamento do esgoto
Com esses indicadores, a capital paranaense é considerada a única capital brasileira com universalização praticamente plena dos serviços de saneamento.
Onde o saneamento é mais crítico
Nos municípios com pior desempenho, os dados revelam situações preocupantes:
- Santarém possui apenas 3,28% de coleta de esgoto;
- Porto Velho registra cerca de 30,74% de acesso à água;
Esses números evidenciam que milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso a serviços básicos.
Meta exige mais investimentos

Para universalizar o saneamento até 2033, o Brasil precisará investir cerca de R$ 430 bilhões adicionais, o que representa uma média anual de aproximadamente R$ 48 bilhões — valor superior ao atualmente aplicado.
O estudo estabelece como referência um investimento ideal de R$ 225 por habitante por ano.
Outro ponto crítico é a eficiência dos sistemas. As perdas de água na distribuição ainda são elevadas, atingindo 39,5% em 2024.
Segundo o relatório, o nível considerado adequado seria inferior a 25%, indicando a necessidade de modernização das redes e redução de desperdícios.
O Ranking do Saneamento 2026 evidencia que, embora o Brasil tenha avançado, o ritmo ainda é insuficiente para garantir a universalização dentro do prazo legal.
A ampliação dos investimentos, a melhoria da gestão e a redução das desigualdades regionais seguem como fatores essenciais para assegurar acesso universal à água e ao esgotamento sanitário — serviços fundamentais para a saúde pública, o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável do país.
Fonte: Trata Brasil